domingo, 7 de dezembro de 2014

NISA: Retratos Pequenos e Breves do Património Cultural (1)

 Iniciamos hoje a divulgação do original “Retratos Pequenos e Breves do Património Cultural e Natural do Concelho de Nisa”, da autoria de José Dinis Murta, que viria a ser publicado em Nisa Viva – Revista de Cultura e Desenvolvimento Local, n.º 17, Dezembro 2009, págs. 3/14.
Atendendo à extensão do original este foi fragmentado da forma que se achou mais coerente e será, assim, apresentado em 17 sessões, sendo esta a 1/17.

Figura 1 - A Cruz do Negro
(depois dos calamitosos incêndios do Verão de 2007. Outubro de 2007)
Esta cruz com 2,5 m (aproximadamente) de altura foi furtada em Fevereiro de 2008
Cruz do Negro, Castelo de Montalvão, Fonte das Lágrimas, Fonte do Rossio, Jardim Municipal, Portas de Ródão, Árvore das Mentiras, Cortejo Etnográfico do Concelho de Nisa, À Descoberta do Património …, Exposição de Pintura …, Exposição de Cueiros, Rua Júlio Basso, Museu do Bordado e do Barro, Mostra etnográfica de objectos ligados à pastorícia, Menir do Patalou, Dia das Comadres, grifos na Web foram, num passado mais ou menos recente, alguns dos títulos e temas de notícias da imprensa local, regional e até, nalguns casos, nacional. Correram em blogs e alimentaram conversas de rua e de café (Figuras 1 e 2).

Figura 2 - Choço – habitação de pastores
Construído expressamente para a exposição “Mostra etnográfica de objectos ligados à pastorícia” - Montalvão – de 6 a 30 de Setembro de 2009
Porquê?
Foram trazidos às primeiras páginas uns por bons motivos e outros por maus. Reportavam-se a inaugurações (Museu do Bordado e do Barro), furtos (Cruz do Negro), destruição/derrube (Fonte das Lágrimas, Jardim Municipal, Árvore das Mentiras, Castelo de Montalvão), obras (Rua Júlio Basso, Castelo de Montalvão), aprovação de candidatura a património natural (Portas de Ródão), trasladação (Fonte do Rossio), conhecer e recordar o passado (À Descoberta do Património …, Exposição de Cueiros, Cortejo Etnográfico do Concelho de Nisa), abandono (Menir do Patalou).
Todas estas notícias, conversas e temas tratavam aspectos relacionados com monumentos, vivências, tradições, recordações de passado, usos e costumes, fauna, flora, história, pintura, artesanato …. tratavam, em suma, questões do património cultural e natural do concelho de Nisa.
Está a findar 2009 e para trás ficam acções dignas de elogio, mas também atentados e destruições que afectam o património cultural e com a agravante de perpetrados por organismos oficiais ou sob as suas barbas (por acção ou omissão). Apesar de a primeira lei sobre a protecção do património ter nascido há 288 anos, governava o Magnânimo, que em alvará com força de lei, datado de 20 de Agosto de 1721, decretou:
“(...) Hey por bem que daqui em diante nenhuma pessoa de qualquer estado, qualidade e condição que seja, desfaça, ou destrua em todo, nem em parte qualquer edifício que mostre ser daqueles tempos, [antigos] ainda que em parte esteja arruinado, e da mesma sorte as estátuas, mármores, e cipos (...) lâminas ou chapas (...) medalhas, ou moedas, que mostrarem ser daqueles tempos (…) e encarrego às câmaras das cidades, e vilas deste reino, tenham muito particular cuidado em conservar, e guardar todas as antiguidades sobreditas, e de semelhante qualidade …”
Constata-se que continua a não haver “muito particular cuidado em conservar e guardar” o património cultural, mas também o património natural.
O que se entende por património, por cultura, por património cultural, mas também por património natural? O que é que faz parte do património cultural e natural?
Estas perguntas contêm palavras, termos e expressões cujos significados e conceitos são maleabilizados, muitas vezes, por tudo e por nada, para o bem ou para o mal, conforme os interesses e as conveniências do momento – económicas, sociais, políticas.
Património e cultura têm alimentado acesas discussões. Deixá-las-emos de lado.
(continua em 2/17)
José Dinis Murta