quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

IN MEMORIAN: José Vilela Mendes

José Vilela Mendes, faleceu na passada sexta-feira, dia 16, vítima de atropelamento, na rua 25 de Abril em Nisa, a sua terra adoptiva e para onde veio ainda criança.
Morreu de forma trágica e brutal quem viveu a vida sempre com um sorriso a iluminar-lhe a face, e a transmitir boa disposição a quem com ele convivesse.
Era, assim, na tesouraria da Câmara, onde trabalhou durante muitos anos, no Nisa e Benfica que serviu como jogador de rija têmpera, nos anos 60 e também como dirigente, faceta que repartiu por diversas colectividades, desde a Sociedade Artística à Sociedade Musical Nisense, entre outras.
Amante do cinema, José Vilela Mendes geriu o Cine Teatro de Nisa durante cerca de 20 anos, impedindo que a única casa de espectáculos do concelho de Nisa encerrasse as portas, depois do abandono da empresa Castello Lopes.
Durante a gerência de António Mendes, o nome do seu pai que o “emprestou” à empresa do filho, a antiga sala do Cine Teatro deu vida, animação e cultura, a várias gerações de nisenses. Por ali passaram inúmeros espectáculos musicais, peças de teatro, de companhias profissionais ou de simples amadores, entre estes, algumas representações de artistas locais, espectáculos de solidariedade, fossem a favor de obras sociais no concelho ou de outra índole.
Às quintas-feiras, mas, sobretudo, ao domingos, o “Cinema” enchia para ver os filmes que a empresa António Mendes trazia a Nisa, a preços populares, praticamente, o único divertimento que a vila possuía e que juntava gente de todas as idades.
Não esqueço as primeiras manifestações de liberdade, logo após o 25 de Abril e que tiveram o Cine Teatro como palco. Comícios, sessões públicas, debates, espectáculos, exibição de filmes, agora libertos das grilhetas da censura, ali ocorreram em ambiente de grande alegria e entusiasmo.
Nessa altura, já o velhinho Cine Teatro Nisense cumpria muito a custo, a sua função. A degradação do edifício agravava-se a cada dia e na eminência de derrocada foi obrigado a fechar as portas, pouco tempo depois.
Para José Vilela, o encerramento do “Cinema” constituiu uma grande tristeza, a “morte” de um filho pródigo, a quem tanto se devotara, mesmo sabendo tratar-se de uma medida inadiável.
Recordo o cidadão, o atleta, o homem de cultura que por amor ao cinema não deixou que os cinéfilos de Nisa ficassem sem a sua “casa de espectáculos”. Uma “casa” que, após as obras de recuperação se transformou numa das melhores do Alentejo.
José Vilela Mendes, um beirão alentejano, alegre, bem-humorado e empreendedor, merece, pela sua persistência e dinamismo, estas singelas notas de homenagem.
Onde quer que estejas, amigo Vilela: Avec Spandex!Signifique lá esta expressão o que significar....
Mário Mendes in "O Distrito de Portalegre" - 22/10/09